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O Gestor Que Ainda Escreve Código

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O Gestor Que Ainda Escreve Código

Daqui a uma semana completo um ano como engineering manager. Se alguém me dissesse seis meses atrás que a segunda metade desse ano envolveria escrever mais código do que a primeira, eu teria assumido que algo tinha dado errado. Não deu. A IA aconteceu.

Os primeiros meses de gestão foram o esperado. Dei um passo atrás do codebase, foquei em pessoas, processos, rituais. Sprint planning, 1:1s, contratação. Conversas difíceis também, incluindo desligar pessoas. O terminal juntou poeira. Parecia a coisa certa a fazer.

Aí comecei a experimentar com ferramentas de IA. Primeiro pra coisas pequenas: rascunhar resumos de retrospectiva, estruturar documentação. Mas quanto mais eu usava, mais percebia que podia construir coisas de novo. Não no caminho crítico (meu time é dono disso), mas projetos paralelos. Ferramentas internas. Experimentos. Coisas que teriam levado semanas antes, entregues em poucos dias.

Foi aí que o merge conflict começou.

A Tensão

Minha agenda diz que sou gestor. Meu histórico do terminal diz o contrário. Em qualquer dia estou alternando entre uma 1:1 sobre crescimento de carreira de alguém e uma sessão no Claude Code onde estou prototipando algo que ninguém pediu. Os dois parecem produtivos. Os dois parecem importantes. Encaixar os dois no mesmo dia é a parte difícil.

Também tenho incentivado a adoção de IA no meu time. Não forçando, mas abrindo espaço. Compartilhando o que aprendi. Incentivando experimentos. Acredito que isso importa, mesmo quando os resultados são bagunçados e o ROI não é óbvio ainda.

A Resolução (Não Tem Uma)

Eu não acho que você resolve esse conflito. Você só fica melhor em gerenciar as trocas de contexto. Alguns dias a branch de gestor ganha. Alguns dias a branch de engenheiro ganha. O truque é não se sentir culpado por nenhuma das duas.

Um ano depois, estou escrevendo mais código do que esperava, lendo mais sobre liderança do que jamais li como engenheiro, e gastando uma quantidade absurda de tempo conversando com uma IA. Ainda não sei se estou fazendo certo. Mas o merge conflict é o que mantém interessante.

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